• Giselly Vitória

AS DUAS DÉCADAS DA EXCALIBUR ENTRE NOSTALGIAS E EXPECTATIVAS PÓS-PANDEMIA

A banda deve lançar o novo single intitulado "Sublime Pain", ainda neste primeiro semestre

Banda Excalibur. Foto/Divulgação

Em maio, pudermos conhecer a história da banda de heavy metal Excalibur, através de um bate-papo nostálgico e descontraído. Conversamos com Marco Araújo (guitarrista) e Eduardo Silva (baterista) sobre a trajetória do grupo, o EP de estreia "The end is the beginning...", o documentário recém-lançado em comemoração aos 20 anos da banda, o que podemos esperar de novidades para este ano e algumas curiosidades. Por terem interesses em comum, e principalmente, a paixão pelo heavy metal e pelo lirismo da música erudita, Marco e Eduardo decidiram formar uma banda que transmitisse essa mescla entre os gêneros, uma junção que resultaria em uma sonoridade singular. E assim, surgiu a Excalibur no ano de 1999, no município de Campos do Jordão, São Paulo. Durante os quase 21 anos, o grupo sofreu algumas baixas, porém, nada que impactasse na continuidade da banda.


A Excalibur também possui um lado social ativo. Em 2008, a banda organizou um evento solidário chamado "Atitude Rock", o show arrecadou cerca de 220 quilos de alimentos que foram entregues à casa de recuperação de dependentes químicos, Desafio Nova Vida. E detém muitas conquistas importantes durante a década de 2000.


Atualmente, a banda é composta por Kleber Ramalho (vocal & convidado especial) Eduardo Silva (bateria e percussão), Marco Araújo (guitarra e teclado), Maurício Fernandes (guitarra) e Marcelo Araújo (contrabaixo).



Confira o nosso bate-papo:



ROCK EM SÍNTESE - Por que “Excalibur”?

MARCO ARAÚJO - A escolha do nome está ligada a um interesse em comum que os integrantes dividem: todos gostam de história, literatura e filmes sobre o imaginário medieval. A lenda do Rei Arthur, sempre nos chamou a atenção e, para nós, a espada tem um grande significado e simboliza muito os valores que nós seguimos enquanto banda. Na história a espada tem uma representação mágica e de poder, e só poderia ser empunhada por aquele que era digno de direito. Então, fazendo uma analogia, consideramos que a Excalibur é a nossa música.



ROCK EM SÍNTESE - Como aconteceu a formação da banda em 1999?

MARCO ARAÚJO - Antes de nós formarmos a Excalibur, nós já éramos amigos. Eu, o Maurício (guitarrista) e o Marcelo (baixista) somos irmãos, mas o Aurélio (baterista) nós conhecemos na escola e estudamos juntos até o ensino médio. Já naquela época, nós éramos fãs de rock e heavy metal e cada um já tinha iniciado os seus estudos musicais. A partir dessa amizade, formamos a banda e começamos a ensaiar, inicialmente, tocando covers, mas sempre com o propósito de criar composições autorais.


Definimos o ano de 1999 como o “marco zero”, porque neste ano, nós fizemos a nossa primeira apresentação musical autoral. Participamos do Mapa Cultural Paulista e nos apresentamos em um palco com plateia e banca examinadora, imagina a pressão inicial que passamos, uma vez que ainda éramos bem amadores!? (risos).



ROCK EM SÍNTESE - Quais as dificuldades que marcaram o início da Excalibur?


MARCO ARAÚJO - Nós temos uma recordação muito boa do início da nossa banda, uma vez que o início é um momento de muito aprendizado e descoberta. Na época, éramos estudantes, não tínhamos compromisso com trabalho e podíamos nos dedicar quase que integralmente à música. Com o passar do tempo, quando já começamos a fazer os nossos shows, os desafios foram aqueles que todas as bandas enfrentam não só no começo da carreira, mas até os dias de hoje: falta de incentivo e lugares para se apresentar, produtores culturais desonestos, desunião entre as bandas e por aí vai.


Para nós, a maior dificuldade foi com relação a formação da banda, para você ter uma ideia, nós tivemos mais de 8 formações, com alta rotatividade nos cargos de vocalista e tecladista. Durante um período, pensamos até em nos tornarmos uma banda instrumental, acredita? Esse entra e saí de integrantes também foi um dos fatores que prejudicaram e atrasaram tanto o lançamento do primeiro disco. Por isso, levamos tanto tempo para lançar o nosso primeiro material.



ROCK EM SÍNTESE - Vocês lançaram, recentemente, um documentário sobre a trajetória da banda durante os mais de 20 anos de estrada. Como foi o processo de produção?


MARCO ARAÚJO - Insano (risos). Para contextualizar, este filme não fazia parte do nosso planejamento, é claro que sempre tivemos interesse em produzir um documentário, porém nunca sobrou recursos para realizar essa ideia. Foi então, que no final de 2020, meados de novembro, o governo federal lançou um edital que previa a disponibilização de uma verba aos artistas via lei Aldir Blanc para suprir a paralização sofrida no meio artístico, por conta da pandemia do Covid. Mas, como nada vem de graça, para conseguirmos esse aporte financeiro, nós tínhamos que entregar como contrapartida, uma produção artística. Foi aí que tivemos a brilhante e absurda ideia de submeter o projeto de produção do documentário, mas sem pretensão alguma de que ele seria aprovado, mas para nossa surpresa, foi validado e com o teto máximo de recurso.


Nossas noites de sono começaram a deixar de existir a partir desta aprovação (risos). Na literatura audiovisual, um documentário leva mais de 2 anos para ser produzido, entre levantamento da pesquisa, elaboração do roteiro, contratação de equipe e início das filmagens. Nós, fizemos tudo isso, em apenas 2 meses, por isso a afirmação de que foi insano.



Apesar de todas as dificuldades, nós conseguimos produzir um material muito profissional e que nos agradou bastante, não só a banda como o público em geral. Devemos muito a produtora Elemento Comunicação, que aceitou o desafio e foi uma grande parceira durante a produção. O filme envolveu mais de 50 pessoas (entre entrevistados, fornecedores, parceiros e membros da banda), mas o resultado foi além da nossa expectativa.



ROCK EM SÍNTESE - Se pudessem voltar ao passado, o que vocês mudariam na banda em 1999?


MARCO ARAÚJO - Sinceramente, acredito que não mudaríamos nada, aprendemos muito com tudo que passamos durante a nossa trajetória. Todos os acontecimentos foram bagagem para construirmos o repertório e experiência que acumulamos hoje.



ROCK EM SÍNTESE - Se não fossem músicos, o que seriam?


MARCO ARAÚJO - Essa é uma pergunta bem difícil de responder, mas se não fossemos músicos, certamente nos dedicaríamos a algo relacionado a música ou as artes em geral. Talvez atuaríamos como professores de música, produtores culturais ou de estúdio, até como roadies de banda. Como Nietzsche dizia: "sem música a vida seria um engano".



ROCK EM SÍNTESE - Qual a maior loucura que vocês já presenciaram durante algum show da Excalibur?


MARCO ARAÚJO - Putz... já aconteceu de tudo em nossos shows, desde as famosas brigas generalizadas; acredite se quiser: tiros na plateia; apresentações paralisadas por conta de denúncia de som alto; moshs malsucedidos por integrantes da banda; casa de show que pegou fogo um dia depois de nos apresentarmos e por aí vai.



ROCK EM SÍNTESE - O que vocês notam de evolução no início da banda até o lançamento do EP "The end is the beginning"?


MARCO ARAÚJO - Pudemos notar muitas coisas, especialmente o amadurecimento e especialização técnica musical. Quando começamos tínhamos todo aquele ímpeto e vontade de conquistar o mundo, sermos famosos e, só com o passar do tempo, colocamos o pé no chão e despertamos para a realidade de que existe um processo para alcançar objetivos e resultados.


Com certeza, se tivéssemos lançado o nosso material naquela época, ele não teria a mesma qualidade e repercussão que teve nos dias de hoje. Muitas pessoas, até amigos próximos, desacreditaram da Excalibur, por conta da longa demora em lançar um material, mas sempre mantivemos o foco e sempre acreditamos no potencial das nossas músicas, por isso demoramos tanto.



ROCK EM SÍNTESE - O que podemos esperar da Excalibur para ainda este ano?


MARCO ARAÚJO - Estamos trabalhando no lançamento, ainda neste primeiro semestre de 2021, no single “Sublime Pain”, que contará com a participação de duas vocalistas de grande expressão no cenário metal nacional e com a produção da arte da capa elaborada pelo designer Rômulo Dias.


Outra novidade é a produção do nosso segundo álbum que contará com onze faixas, com títulos já definidos, e participações especiais como trio de conjunto de câmara (2 violinos e 1 cello), flauta transversal e pianista. Já temos o título do full length, porém ainda não podemos revelar. O novo material será disponibilizado através da MS Metal Records, com previsão de lançamento no final de 2021 ou início de 2022.



ROCK EM SÍNTESE - Como a banda está permanecendo em atividade durante a pandemia?


MARCO ARAÚJO - Estamos trabalhando a todo vapor, nos dedicando aos ensaios e já realizando a pré-produção do nosso full álbum. Fazemos reuniões de alinhamento semanais de forma remota e, as gravações da pré-produção são realizadas em nosso home studio. Esse processo é muito importante e nos dá muita liberdade criativa, uma vez que podemos, em casa, ver como ficará o resultado das músicas, bem próximo do produto final. Assim, quando formos ao estúdio profissional, a dedicação fica voltada somente a performance e escolha dos melhores takes.

Excalibur. Arquivo da banda.

ROCK EM SÍNTESE - O quão importante são as mídias sociais para a divulgação da banda?


MARCO ARAÚJO - Nos dias de hoje, especialmente para bandas de underground como a nossa, é praticamente obrigatório estar presente nas redes sociais, afinal de contas, é o melhor meio para nos comunicarmos com nossos fãs e com o público em geral. Mas é preciso saber utilizar esses meios ao seu favor, não basta apenas estar presente, é necessário ter frequência, bons conteúdos e posicionamento adequado. As mídias sociais também favoreceram muito o contato entre artistas e estimulou muito a criatividade, neste momento atual, muitos eventos on-line estão acontecendo e também as parcerias e colaborações estão em alta.


Outro grande destaque também, são para veículos como a Rock em Síntese, que são importantes aliados das bandas e se dedicam a promover e fortalecer a cena rock nacional. Sem vocês, não conseguiríamos notoriedade e conquistar novos horizontes, a nossa gratidão é muito grande, pois no passado, isso era impossível para bandas de pequeno porte.



Qual o maior sonho de vocês em relação à banda?


EDUARDO SILVA - Adoramos falar sobre sonhos e eles são muitos (risos). Temos muitos sonhos e vontades, mas sabemos que é preciso trabalhar duro para poder realizá-los, mas como sonhar não custa nada, sonhamos em realizar grandes turnês mundo afora, termos representatividade dentro do gênero ao qual nos dedicamos, participando ativamente de eventos de metal e, quem sabe, dividir o palco com aquela banda que foi referência e influência para a nossa. Seria incrível, não é?



ROCK EM SÍNTESE - Definam a banda em uma palavra:


MARCO ARAÚJO - Persistência.




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